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[Terça-feira, Março 07, 2006]

Ressurge essa desesperança na minha vida...
De tempos em tempos eu caio nessa armadilha que é ver pessoas felizes, casais contentes e eu sozinha. Fico triste, acabada, me sentindo um lixo. Aí comparo minha situação com a das crianças que morrem de fome na Etiópia e fico feliz de novo.

¬¬


P.S: Roger, tu não merece ganhar um texto com dedicatória no mesmo post dessa asneira que acabei de escrever.

P.S. do P.S: Roubei teus olhinhos.



Carolina - 10:23 AM - |
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[Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006]

Dos conselhos que já comprei:

O melhor "Enxergue de fora"
O pior "Enxergue de fora"


De "fora" as coisas sempre são menores do que parecem. Talvez, menos importantes e isso alivia e entristece. Se é tão menor do que parecia perde toda a importância que se imaginava. Uma amizade rompida, de perto é tão triste, de longe só mais uma. De amores, então, nem se fala. De longe são todos banais. O próximo será sempre aquele que vai durar a vida toda. A próxima menina sempre será a dona dos mais belos olhos, da mais bela boca, dos mais profundos pensamentos. O passado se esquece, se afoga nos ressentimentos. O último relacionamento sempre foi a maior perda de tempo. Os problemas sempre os piores e mais irresolutos. E há quem diga que aprende com os erros, que se torna melhor com o passar dos meses, se fortalece com aquilo que não é mortal. Todos bobos. Todos burros. O conhecimento só se acumula e vai tomando espaço, mas nunca sofre uma organização espontânea. Um entulho de sabedoria, de que serve? Essa sapiência toda é como aquela casquinha na beira da narina. Se a gente não mexer nunca mais incomoda ou dói. Mas quem resiste?



Carolina - 9:28 AM - |
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[Terça-feira, Janeiro 31, 2006]

Noite passada lembrei do ano passado que, tudo bem, acabou tem um mês, mas lembrei lá do comecinho dele. O Verão de 2005 e tudo que foi modificado no decorrer das outras estações. Mas o que me chamou atenção foi que das pessoas que eu conheci desde o verão passado nenhuma permaneceu até este verão. As de outros verões continuam aqui, mas nada de 2005, nada.
Estou enganada a meu respeito, não faço amizade tão facilmente quando imaginava. Talvez eu faça, mas não mantenha. Ou talvez eu mantenha mas me apaixone demais pelo meus amigos. Quem sabe, não tenha problema se apaixonar pelos amigos desde que eles não saibam disso.
Ok, mas a culpa é toda minha. Deixei de me apaixonar pelos amigos e me apaixonei, imaginem, por mim mesma. Que em alguns casos é como decidir se mudar para um eremitério. Sou uma péssima amiga de mim mesma. Não me procuro com muita freqüência. Quando ligo, mando dizer que não estou, não me apóio nos momentos difíceis, não me chamo pra sair, quando chamo, dou bolo.
Mas ainda sonho meus sonhos patéticos de amizade e romantismo cegos.

¬¬

Esqueço que não posso falar de romantismo. Não é por nada não, é só uma sensação de falsidade quanto ao tema. O romantismo é a minha identidade falsa na porta da boate. Minha foto tá lá, mas o nome de mulher é coreano.
Esse romantismo que eu sonho é digno do surrealismo, ninguém entende mas sempre acha legal. Digo que quero assim, assado, todos dizem que não funciona e logo elogiam a minha capacidade de parecer moderninha nestes assuntos.
Eu só quero tudo sem ter nada. O "ter" alguma coisa implica em responsabilidades e eu sou infatil demais pra me responsabilizar pelo sentimento dos outros se nem pelo meu tenho consciência.
Quero um amigo irmão para cometer incesto. Quero um companheiro desbravador, quase pirata. Quero um pai que me ame não importa o quão decepcionante eu pareça ser. Quero um caixeiro viajante que me deixe incerta pelo dia de amanhã. Quero um hippie barbudo protestando sobre a instituição de procriação por trás da sociedade patriarcal. Quero um amor livre de dois corações livres, com pessoas felizes por serem o que são e que buscam unicamente a satisfação de poderem dividir suas vidas completas com uma outra pessoa e, apartir disso, criarem uma terceira visão de como tudo é tão legal e todos são tão bacanas.
Por enquanto fico com a minha visão unilateral de como vocês são tão bacanas e eu sou tão legal, mas nós não interagimos da forma que eu gostaria.



Carolina - 6:02 AM - |
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[Quarta-feira, Janeiro 25, 2006]

Cada mulher que eu conheço me faz ter mais convicção de ser heterosexual.
Cada ex-namorada que eu conheço me faz ter mais convicção que eu nunca fui uma namorada padrão.
Cada maluca sem noção que eu conheço me faz ter mais convicção que eu sou a mais normal das normais.

Mas tá, eu to pagando meus pecados mesmo. Eu já fui ex e maluca também, só me restou o "ser mulher". Se eu pudesse explicar para todas as mulheres que ninguém nesse mundo morre por falta de um homem específico ou um outro qualquer. Mas não posso, infelizmente. Então, tratem logo de aprender antes que eu precise ligar para a polícia pedindo escolta armada.

Quando a gente precisa desligar o celular no meio da noite... já passou dos limites.
E, juro, não to fazendo graça, to é com medo de pessoas psicóticas...




Carolina - 8:47 AM - |
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[Sexta-feira, Janeiro 20, 2006]

Cansei da conotação sexual de tudo.
Cansei de pessoas terrivelmente deprimidas.
Dá vontade de sentar num cantinho e chorar, depois rir, depois lamentar e, por fim, levantar e voltar ao que sempre foi. Uma grande palhaçada que muda de tempos em tempos e que, na verdade, é uma reciclagem do que já foi só pra nos fazer acreditar que é algo novo. A gente pega aquele monte de problemas cola lantejoulas, uma fita de renda e joga por cima de tudo rosas de papel crepom. Aí, num dia especial a gente se dá de presente e vive feliz enquanto acredita que aquilo é novo e bonito.
Nada é novo e bonito, é tudo igual, só muda a cor do crepom.


Hoje é um dia ruim.



Carolina - 5:20 PM - |
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